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Legitimuz Day 2026: Governo usa carga tributária como arma contra setor de bets, afirma advogada

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A advogada Ana Carolina Monguilod, sócia do escritório CSMV Advogados e especialista em planejamento tributário internacional e M&A no setor financeiro, criticou duramente a postura do governo federal em relação à tributação do mercado de apostas esportivas no Brasil. Segundo ela, a carga tributária tem sido utilizada de forma desproporcional contra o setor, gerando insegurança jurídica e ameaçando a viabilidade das operações legalizadas. A afirmação foi feita durante o painel “Tributação – quando aumentar impostos prejudica o setor e trava a arrecadação do Estado”, realizado no Legitimuz Day 2026, evento que foi promovido pela Legitimuz na última segunda-feira (18/5) em São Paulo e que une os setores público e privado em discussões relevantes para o setor de apostas do Brasil e do mundo.

Tributação como instrumento de pressão

O debate reuniu especialistas brasileiros e internacionais para discutir os impactos da política tributária sobre a indústria de jogos e apostas, em um momento em que o setor enfrenta pressões regulatórias crescentes.

Ana Carolina Monguilod alertou que o cenário tributário brasileiro representa um obstáculo significativo para o desenvolvimento saudável do setor. “No Brasil, temos o desafio da carga tributária, que é usada como uma arma no setor de bets, com ameaças de novos projetos de lei e novas incidências, como o imposto seletivo. Há tudo, menos equilíbrio”, afirmou a advogada.

Ana Carolina Monguilod, sócia do escritório CSMV Advogados

A especialista destacou que polêmicas tributárias latentes poderão surgir nos próximos meses, com alíquotas que podem chegar a 30%. “O tributo não pode ser usado como arma contra uma indústria. Um imposto que incidiria sobre o percentual de depósitos é um bom exemplo de distorção. Temos que desconstruir isso”, ressaltou Monguilod.

Sobre o imposto seletivo, a advogada foi enfática: “O setor de bets já é hiper-regulado e altamente tributado o suficiente para compensar as eventuais externalidades negativas. O imposto seletivo, do jeito que deverá vir, não será usado para atenuar os impactos negativos das bets. Não é uma questão técnica, mas política.”

O risco de empurrar operadoras para a ilegalidade

João Paulo Bachur, sócio da Horta Bachur Advogados, trouxe ao debate a questão da comunicação entre o setor e o governo. “A principal forma de responder à pressão tributária envolve autorregulação e agenda positiva. As bets fornecem dinheiro para diversos comitês de fomento ao esporte e deveriam mostrar mais o retorno dessas ações”, afirmou.

João Paulo Bachur, sócio da Horta Bachur Advogados

Bachur também alertou para os riscos de uma regulação excessiva. “A pressão regulatória oportunista ocorre sempre em setores aquecidos. O problema é que, no momento em que a regulação se torna exagerada, há um estímulo para voltar ao ilegal. Não estamos nesse ponto, mas o risco existe”, ponderou o advogado.

Lições de Nevada: o “padrão ouro” da regulação de jogos

Chandani Sendall, membro do conselho do Nevada Gaming Control Board (GCB), trouxe a experiência do estado americano, considerado referência mundial na regulação de jogos. “Temos 6,7% de imposto sobre o valor bruto gerado, uma das tributações mais baixas nos EUA. Ao mesmo tempo, a receita bruta da indústria de jogos representa 20% do orçamento do estado de Nevada”, explicou.

Sendall destacou que a abordagem de Nevada se baseia no equilíbrio entre arrecadação e sustentabilidade do setor. “Se o custo para ingressar na indústria de jogos é alto demais, há um risco considerável de os interessados entrarem no mercado ilegal. É preciso encontrar um equilíbrio entre oferecer um produto responsável ao cliente e achar a tributação adequada”, afirmou.

Chandani Sendall, membro do conselho do Nevada Gaming Control Board (GCB)

A conselheira fez um alerta direto ao Brasil ao mencionar estados americanos com tributação mais agressiva. “Em outros estados dos EUA, a arrecadação pode chegar a 50%, como em Illinois e Nova York. Você pode levar essas operadoras à falência com essa tributação, especialmente porque elas estão competindo com sites ilegais, que não pagam impostos. Isso força as pessoas a voltarem à ilegalidade”, disse Sendall.

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Necessidade de uma agência reguladora independente

André Santa Ritta, sócio da Pinheiro Neto Advogados – que mediou o debate – defendeu a criação de uma agência reguladora dedicada ao setor de apostas, com orçamento próprio, corpo técnico qualificado e plano de carreira estrututado. “É preciso construir um arcabouço mais sólido e criar uma agência reguladora, com orçamento separado e vinculado, para ser direcionado de forma correta para as pastas do governo. Além de mais clareza e transparência na condução desse dinheiro”, declarou.

André Santa Ritta, sócio da Pinheiro Neto Advogados

Unidade do setor como caminho

Ao encerrar sua participação, Ana Carolina Monguilod fez um apelo à indústria. “Temos uma regulamentação não tributária muito boa. Não podemos perder essa bagagem toda e deixar o tributário contaminar tudo isso. O setor tem que se unir para mitigar os contenciosos”, concluiu a advogada.

O painel evidenciou que o equilíbrio entre arrecadação e sustentabilidade do mercado de apostas é um dos principais desafios que o Brasil precisa enfrentar para consolidar uma indústria de bets competitiva, legalizada e capaz de gerar retorno tanto para o setor privado quanto para os cofres públicos.

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