Legitimuz 2026: especialistas afirmam que união de todos os atores do mercado de bets é a melhor solução para combater o jogo ilegal
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“A união do mercado de bets é a solução para combater jogo ilegal”. Esse é o ponto em que reguladores, autoridades governamentais e representantes de organismos internacionais concordam: o enfrentamento eficaz ao mercado ilegal de apostas passa, necessariamente, pela cooperação entre todos os envolvidos – governos, operadores legalizados, forças de segurança e entidades regulatórias. Mais do que tecnologia ou legislação isolada, é a articulação conjunta desses atores que pode virar o jogo contra a ilegalidade. A afirmação foi feita durante o painel “Fiscalização: Cooperação internacional no combate ao jogo ilegal“, realizado no Legitimuz Day 2026, evento promovido pela Legitimuz em São Paulo e que une os setores público e privado em discussões relevantes para o setor de apostas do Brasil e do mundo.
União do mercado de bets: a assimetria entre o legal e o ilegal
Um dos pontos centrais do debate foi a velocidade com que operadores ilegais se adaptam e migram entre jurisdições, contrastando com a resposta mais lenta dos governos. Tarsila Schoor, Project Officer da UNODC-ONU, destacou esse descompasso como o maior obstáculo no combate à ilegalidade:
“O principal desafio é a assimetria no mercado, que trabalha muito rápido. Os operadores ilegais pulam de um país para o outro, e a resposta do governo acaba sendo mais lenta. A ONU quer harmonizar os marcos regulatórios dos países para facilitar esse combate e também ampliar a cooperação internacional, com a troca de informações entre os países.”
Tarsila Schoor, Project Officer da UNODC-ONU
Brian Krolicki, Vice-Presidente da IAGR (International Association of Gaming Regulators) e referência na regulação de jogos em Nevada, reforçou que a tecnologia ampliou o poder dos criminosos e que a resposta precisa ser igualmente sofisticada e coordenada:
“A tecnologia permite que os criminosos sejam mais eficientes em seus crimes. Ainda há um descompasso na colaboração entre os países. A integridade é peça-chave. Precisamos fazer isso de maneira sistêmica e consistente, tornando muito difícil a vida deles.”
União do mercado de bets: O cenário brasileiro – avanços e gargalos normativos
Carlos Renato, Subsecretário de Monitoramento e Fiscalização da SPA, trouxe um panorama detalhado dos avanços e desafios no Brasil. Segundo ele, o país já conta com ferramentas importantes, como o domínio exclusivo bet.br e a rastreabilidade do PIX, mas ainda enfrenta limitações normativas que dificultam ações mais contundentes:
“Conseguimos identificar os hubs ilegais com agilidade e compartilhamos as informações, mas faltam normativos adequados para dar andamento à derrubada dos sites e prisão dos responsáveis. É preciso parar de tratar as bets ilegais como uma mera contravenção.”
Carlos Renato também chamou atenção para a ponta mais vulnerável dessa cadeia: o apostador. “Enquanto existir o ilegal, o mercado regularizado vai sofrer. E o apostador final acaba sendo o maior prejudicado”, afirmou. Para ele, o combate ao jogo ilegal é hoje a pauta prioritária da SPA, e envolve uma frente ampla que inclui o COAF, a Polícia Federal e o Ministério da Justiça.
Carlos Renato, Subsecretário de Monitoramento e Fiscalização da SPA
Sobre as ferramentas tecnológicas disponíveis, o subsecretário destacou o papel ambivalente do PIX:
“O PIX é maravilhoso, porque temos todo o rastreamento dele. Mas também pode ser usado para fins ilegais. Você precisa trazer todos os atores que trabalham no cenário de bets: mercado, governo e todos que podem ajudar na prevenção.”
A experiência argentina: educação, tipificação e combate aos influenciadores
Ezequiel Dominguez, Diretor da LOTBA (Loteria de la Ciudad de Buenos Aires), compartilhou a experiência da Argentina, que avançou em diversas frentes no combate ao jogo ilegal. Uma das medidas mais impactantes foi a tipificação criminal das apostas ilegais, com penas de até seis anos de prisão, e a criação de uma promotoria especializada:
“Quando criamos a promotoria de combate ao jogo ilegal, isso foi uma virada de chave. Combatemos não apenas a plataforma, mas todo o ecossistema, como intermediários (afiliadores) nesse processo, seguindo o dinheiro que vai do apostador até a plataforma.”
A ação argentina também se estendeu aos influenciadores digitais que promovem plataformas ilegais. Dominguez revelou números expressivos: “Temos mais de 120 casos contra influenciadores, com muitos fazendo acordo para não serem presos.”
Ezequiel Dominguez, Diretor da LOTBA (Loteria de la Ciudad de Buenos Aires)
Pensando adiante, a Argentina já se prepara para a Copa do Mundo de 2026 com o registro de plataformas ilegais e de influenciadores e afiliados, antecipando o aumento exponencial das apostas durante o evento. O executivo afirma que a LOTBA monitorará de perto todo esse ecossistema.
União do mercado de bets: cooperação internacional como caminho
O consenso entre os painelistas foi claro: nenhum país conseguirá vencer o jogo ilegal sozinho. A harmonização de marcos regulatórios, a troca ágil de informações entre jurisdições e a construção de ferramentas compartilhadas são os pilares para um enfrentamento eficaz.
Brian Krolicki sintetizou o sentimento do painel ao comentar sobre a Copa do Mundo como possível marco global no combate à ilegalidade:
“É inocente imaginar que conseguimos conquistar tudo. Mas evoluiremos e, na próxima Copa, estaremos mais preparados. A cooperação entre os atores desse mercado é o processo mais útil nesse combate. Reguladores de todo o mundo trabalhando com governos e polícias.”
Brian Krolicki, Vice-Presidente da IAGR (International Association of Gaming Regulators)
Tarsila Schoor reforçou que o tema já é prioridade dentro da ONU, integrado ao combate à corrupção nos esportes e à lavagem de dinheiro: “O mercado ilegal é muito mais adaptável, o que reforça a necessidade de cooperação e troca de informações. É preciso fortalecer tratados e utilizarmos ferramentas mais ágeis.”
O painel do Legitimuz Day 2026 deixou uma mensagem inequívoca: o futuro do mercado regulado de apostas depende de uma frente unificada, em que governos, reguladores, operadores e a sociedade trabalhem juntos com transparência, agilidade e tecnologia: tudo para fechar as portas ao jogo ilegal.
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